Frühling: Capitulo 1

Narrador: Charles

Não sei bem explicar como foi que aconteceu. Mas acho que a única resposta possível é que foi amor à primeira vista.

Aconteceu no primeiro dia de aulas. No dia da Cerimonia de Abertura.

Estava numa bifurcação e não sabia qual era o caminho correto para chegar na Academia.

Uma rapariga baixa  e com um incomum cabelo azul que eu nunca tinha visto antes disse:

'Hum, se está à procura do caminho para Kizuna Academy, é só subir por este caminho'.

Agradeçi e subi pelo caminho indicado por ela. Quando parei e olhei para trás, vi algo que fez o meu coração palpitar: a bela imagem da rapariga franzina com o cabelo azul desde as raízes com as pontas pretas a esvoaçar ao vento daquela Primavera e com um sorriso deslumbrante iluminando o seu rosto.

Desde aquele dia fiquei com o desejo de ver aquele sorriso mais uma vez.

E quando descobri que estávamos na mesma turma, a vontade se tornou ainda maior.

Mas, ao contrário das minhas expectativas, ela não parecia ser o tipo de rapariga em que se podia chegar e começar uma conversa.

Ela não se abria com ninguém e tinha sempre um ar sombrio à volta dela que afastava os demais.

Acho que é por causa dessa parede invisível que ela criava a sua volta que os outros começaram a criar rumores estranhos sobre ela.

Diziam por aí que a era capaz de ver fantasmas e convocá-los; que ela falava com demónios ou que ela mesma era um demónio; que aquele cabelo azul dela era a prova da sua ligação com os seres do submundo ou que o cabelo dela era amaldiçoado e por isso tinha aquela cor bizarra...

E muitas outras barbaridades sem fundamento.

No entanto, ela parecia não se importar com o que os outros diziam à respeito dela e ficava sempre no seu cantinho.

Olhei-a pelo canto do olho.

Ela repousava a cabeça em cima dos braços cruzados que estavam sob a mesa.

O cabelo azul e preto dela estava espalhado  em cima da mesa.

Por um breve instante ela ergueu a cabeça e fui capaz de ver a face entre alguns fios de cabelo.

Os olhos azuis como safiras e os lábios vermelhos como rubis. A face dela parecia esculpida à partir de uma jóia e decorada com outras jóias brilhantes.

Ela por si só já era uma jóia.

"Hã?"

Agora mesmo, tive a impressão de que ela olhou para mim. Foi apenas impressão?

Espero que não.

Suspirei ao ouvir os batimentos doeu coração a acelerarem.

- Começando o dia com um suspiro. A batalha de um homem apaixonado!- disse Andrew com uma voz de gozo parando em frente da minha mesa.

- Me deixa em paz! Um mulherengo expert como tu jamais entenderia como me sinto.- disse pousando a cabeça na mesa.

- Tens razão. Amor é para trouxas.

- Isso significa que nunca estiveste apaixonado? Que homem infeliz deves ser.

- Eu já estive!- replicou ele batendo na mesa. Levantei a cabeça para ver que tipo de expressão ele estava fazendo. Parecia incomodado.- Mas ela é coisa do passado! Não tem mais nada a ver comigo!

"Parece que o amor dele não foi correspondido...  Bem, eu não posso falar nada já que o meu parece completamente impossível."

'Será que é mesmo impossível?'

De onde veio essa voz?

"Quem és tu?"

Não sei se estou a ficar maluco ou o que quer que seja, mas ouvi a voz de uma rapariga que eu tinha certeza que era belíssima, uma voz melodiosa e serena que ecoou dentro da minha consciência.

'Não precisa me temer, tua inimiga não sou. E em breve saberás quem sou eu.:
 

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