LTC: Capítulo 4
Lean acordou sentindo uma enorme dor de cabeça.
Sentou-se na cama tentando se recordar do que tinha acontecido.
Lucy, a sua gata branca, saltou para o seu colo.
Lean levantou-se carregando Lucy nos seus braços.
Foi até a cozinha e encheu um copo de água fresca.
De repente, uma silhueta apareceu na porta da cozinha.
Lean engasgou-se ou com a água ou com o susto.
A silhueta que estava na ombreira da porta aproximou-se rapidamente, o que assustou ainda mais o Lean que pensava no pior.
No entanto a silhueta o abraçou.
Era um rapaz, e parecia estar a chorar.
O rapaz soluçava enquanto o aperto do abraço diminuía cada vez mais.
Até o rapaz cair por terra, ficando de joelhos.
- Kennan?- reconheceu e estranhou Lean.- O que é que se passa?
- E-estava com tanto… medo que algo… algo acontecesse contigo…- disse Kennan entre soluços.
- Porquê que algo haveria de acontecer comigo?- perguntou Lean sem entender.
- N-não te lembras do que aconteceu?!- surpreendeu-se Kennan.
Lean reparou na fita branca que estava envolta na cabeça de Kennan.
E então, reparou, finalmente, que no braço dele estava um gesso. Com o braço são ele apalpou a sua cabeça. Lá também estava algo que se parecia com uma fita.
Apesar de não entender o que estava à acontecer, quando Lean olhou para os olhos lacrimejados de Kennan sentiu como se aquele rapaz à sua frente fosse o mesmo menino que ele conhecera à onze anos atrás.
Agiu através de um instinto desconhecido, o corpo reagiu antes que a mente tivesse tempo de pensar.
Lean ajoelhou-se, passou a mão pelo cabelo ruivo de Kennan e os dois olharam-se por um tempo.
Então, Lean aproximou pouco a pouco a sua cara à do Kennan.
Até o beijar.
No início, Kennan surpreendeu-se pela ação do Lean, mas aos poucos uma sensação de conforto foi se instalando em alguma parte do seu coração.
As lágrimas de tristeza que escorriam pelo seu rosto cessaram e a sua dor apaziguava-se a cada instante que os dois passavam se beijando.
Ele não sabia que dor e preocupações eram aquelas ao ver o Lean ferido, nem que sensação de alívio era aquela que o seu beijo trazia consigo.
De repente, Kennan viu-se no mar, uma melodia estranha mas calmante ecoava no ar trazendo-lhe uma paz interior que Kennan jamais havia sentido.
No entanto, do nada, a sua paz desapareceu como que por magia.
Mas não tinha sido magia alguma e sim Lean que havia quebrado o beijo.
Lean levantou-se rapidamente com uma mão em frente dos lábios e virou-se de costas para o Kennan, para que este não visse o seu rosto.
Kennan ergueu-se logo de seguida, ainda atormentado por aquela sensação de paz avassaldora.
Pousou uma mão no ombro de Lean e o virou lentamente, sem querer o pressionar.
No inicio, Lean resistiu por vergonha mas pouco a pouco foi cedendo até virar por completo.
Kennan ficou tão abalado que o seu coração chegou a falhar uma...duas...três batidas.
Lean estava todo corado e os olhos azuis pulsantes de brilho, mas nesse brilho via-se também um medo que Kennan não entendia.
A sua mão continuava à frente da boca.
- Então também sabes fazer uma cara dessas.- murmurou Kennan, mais para si mesmo do que para que Lean o escutasse.
- D-desculpa.- disse Lean numa voz baixa e hesitante.
- Hã? Pelo quê?- perguntou Kennan.
- Como a-assim pelo quê?
Ver Lean com uma cara daquelas fez com que Kennan se esquecesse que o beijo tinha ocorrido.
- Hã?! Ah! Estás a falar do bei…
Não foi capaz de terminar a frase porque Lean tapou-lhe a boca antes que a ele tivesse a chance de fazê-lo.
- Não digas!- disse Lean, mais em forma de pedido do que de ordem.
- OK…- assentiu Kennan e Lean retirou as mãos dos seus lábios.
Mas no meio do caminho Kennan as pegou e beijou.
- O-o que é estás a fazer?!- perguntou Lean chocado pelo ato.
- Prometo não dizer nada se prometeres realizar dois desejos meus. Sejam eles quais forem.- impôs Kennan.
- Hã?! E porque haveria eu de acatar às tuas decisões?
- Então, isso é um não?
Lean pediu um pouco de tempo para pensar.
“ O que raios devo eu fazer? Se eu aceitar, não sei do que ele será capaz de pedir que eu realize. Mas se eu não aceitar e ele contar a alguém, e se essa informação chegar ao ouvidos daquele maldito homem, o que seria de mim?”- pensou Lean.
- Bem… eu… aceito.- decidiu por fim.
- Isso!- Festejou Kennan, como se tivesse acabado de fazer uma importante conquista.
- E-e que desejos são esses?- arriscou Lean.
- Então… tu lembras-te do incêndio que aconteceu à cinco dias?
- Incêndio? Que incê…?- parou no meio da frase.
Imagens corriam na sua mente. Uma sensação de desconforto e de medo assolaram o seu coração. O ar faltava-lhe por algum motivo.
E todas essas sensações eram-lhe muito familiares.
Então lembrou-se do acontecimento ao qual Kennan se referia.
O incêndio!
Uma tontura veio do nada. Ele teria caído no chão se Kennan não o tivesse amparado.
- Pelos vistos lembraste-te.
- S-sim. Mas… o que isso tem a ver com o teu desejo?- perguntou Lean.
- Vem, eu mostro-te.- disse Kennan dirigindo-se em direção à sala.
Ao chegarem na sala, Lean viu uma mulher e um homem abraçados no sofá grande, e uma rapariga adolescente sentado na sua poltrona.
- Quem são eles?- perguntou Lean saindo de trás do Kennan.
- São a minha família.- disse Kennan. E começou as apresentações.- Aquela é a minha mãe, Texy.- apontou para a mulher abraçada ao homem. Tinha cabelo ruivo igual ao Kennan e olhos cor-de-mel.- Aquele é o meu pai Bertrand.- Apontou para o homem. Este tinha cabelo preto e olhos castanhos.- E a rapariga é a minha irmã mais nova, Catarina, podes chama-la de Caty se quiseres.- Apontou por fim a rapariga de cabelo castanho comprido e olhos da mesma cor que estava sentada na sua poltrona.
Conforme o nome de cada era dito, eles sorriram e acenavam.
- E o que isso tem a ver com o teu desejo?- perguntou Lean baixinho.
- Um dos meus desejos é que deixes a minha família viver aqui, até que encontremos uma nova casa.
- E porque é que precisariam de uma nova casa? Vocês já não têm uma?
"Ele é mais lerdo do que pensei"- matutou Kennan.
- Sim… tínhamos. Mas ela ficou destruída com o incêndio. Então deixas-nos ficar?
Sentou-se na cama tentando se recordar do que tinha acontecido.
Lucy, a sua gata branca, saltou para o seu colo.
Lean levantou-se carregando Lucy nos seus braços.
Foi até a cozinha e encheu um copo de água fresca.
De repente, uma silhueta apareceu na porta da cozinha.
Lean engasgou-se ou com a água ou com o susto.
A silhueta que estava na ombreira da porta aproximou-se rapidamente, o que assustou ainda mais o Lean que pensava no pior.
No entanto a silhueta o abraçou.
Era um rapaz, e parecia estar a chorar.
O rapaz soluçava enquanto o aperto do abraço diminuía cada vez mais.
Até o rapaz cair por terra, ficando de joelhos.
- Kennan?- reconheceu e estranhou Lean.- O que é que se passa?
- E-estava com tanto… medo que algo… algo acontecesse contigo…- disse Kennan entre soluços.
- Porquê que algo haveria de acontecer comigo?- perguntou Lean sem entender.
- N-não te lembras do que aconteceu?!- surpreendeu-se Kennan.
Lean reparou na fita branca que estava envolta na cabeça de Kennan.
E então, reparou, finalmente, que no braço dele estava um gesso. Com o braço são ele apalpou a sua cabeça. Lá também estava algo que se parecia com uma fita.
Apesar de não entender o que estava à acontecer, quando Lean olhou para os olhos lacrimejados de Kennan sentiu como se aquele rapaz à sua frente fosse o mesmo menino que ele conhecera à onze anos atrás.
Agiu através de um instinto desconhecido, o corpo reagiu antes que a mente tivesse tempo de pensar.
Lean ajoelhou-se, passou a mão pelo cabelo ruivo de Kennan e os dois olharam-se por um tempo.
Então, Lean aproximou pouco a pouco a sua cara à do Kennan.
Até o beijar.
No início, Kennan surpreendeu-se pela ação do Lean, mas aos poucos uma sensação de conforto foi se instalando em alguma parte do seu coração.
As lágrimas de tristeza que escorriam pelo seu rosto cessaram e a sua dor apaziguava-se a cada instante que os dois passavam se beijando.
Ele não sabia que dor e preocupações eram aquelas ao ver o Lean ferido, nem que sensação de alívio era aquela que o seu beijo trazia consigo.
De repente, Kennan viu-se no mar, uma melodia estranha mas calmante ecoava no ar trazendo-lhe uma paz interior que Kennan jamais havia sentido.
No entanto, do nada, a sua paz desapareceu como que por magia.
Mas não tinha sido magia alguma e sim Lean que havia quebrado o beijo.
Lean levantou-se rapidamente com uma mão em frente dos lábios e virou-se de costas para o Kennan, para que este não visse o seu rosto.
Kennan ergueu-se logo de seguida, ainda atormentado por aquela sensação de paz avassaldora.
Pousou uma mão no ombro de Lean e o virou lentamente, sem querer o pressionar.
No inicio, Lean resistiu por vergonha mas pouco a pouco foi cedendo até virar por completo.
Kennan ficou tão abalado que o seu coração chegou a falhar uma...duas...três batidas.
Lean estava todo corado e os olhos azuis pulsantes de brilho, mas nesse brilho via-se também um medo que Kennan não entendia.
A sua mão continuava à frente da boca.
- Então também sabes fazer uma cara dessas.- murmurou Kennan, mais para si mesmo do que para que Lean o escutasse.
- D-desculpa.- disse Lean numa voz baixa e hesitante.
- Hã? Pelo quê?- perguntou Kennan.
- Como a-assim pelo quê?
Ver Lean com uma cara daquelas fez com que Kennan se esquecesse que o beijo tinha ocorrido.
- Hã?! Ah! Estás a falar do bei…
Não foi capaz de terminar a frase porque Lean tapou-lhe a boca antes que a ele tivesse a chance de fazê-lo.
- Não digas!- disse Lean, mais em forma de pedido do que de ordem.
- OK…- assentiu Kennan e Lean retirou as mãos dos seus lábios.
Mas no meio do caminho Kennan as pegou e beijou.
- O-o que é estás a fazer?!- perguntou Lean chocado pelo ato.
- Prometo não dizer nada se prometeres realizar dois desejos meus. Sejam eles quais forem.- impôs Kennan.
- Hã?! E porque haveria eu de acatar às tuas decisões?
- Então, isso é um não?
Lean pediu um pouco de tempo para pensar.
“ O que raios devo eu fazer? Se eu aceitar, não sei do que ele será capaz de pedir que eu realize. Mas se eu não aceitar e ele contar a alguém, e se essa informação chegar ao ouvidos daquele maldito homem, o que seria de mim?”- pensou Lean.
- Bem… eu… aceito.- decidiu por fim.
- Isso!- Festejou Kennan, como se tivesse acabado de fazer uma importante conquista.
- E-e que desejos são esses?- arriscou Lean.
- Então… tu lembras-te do incêndio que aconteceu à cinco dias?
- Incêndio? Que incê…?- parou no meio da frase.
Imagens corriam na sua mente. Uma sensação de desconforto e de medo assolaram o seu coração. O ar faltava-lhe por algum motivo.
E todas essas sensações eram-lhe muito familiares.
Então lembrou-se do acontecimento ao qual Kennan se referia.
O incêndio!
Uma tontura veio do nada. Ele teria caído no chão se Kennan não o tivesse amparado.
- Pelos vistos lembraste-te.
- S-sim. Mas… o que isso tem a ver com o teu desejo?- perguntou Lean.
- Vem, eu mostro-te.- disse Kennan dirigindo-se em direção à sala.
Ao chegarem na sala, Lean viu uma mulher e um homem abraçados no sofá grande, e uma rapariga adolescente sentado na sua poltrona.
- Quem são eles?- perguntou Lean saindo de trás do Kennan.
- São a minha família.- disse Kennan. E começou as apresentações.- Aquela é a minha mãe, Texy.- apontou para a mulher abraçada ao homem. Tinha cabelo ruivo igual ao Kennan e olhos cor-de-mel.- Aquele é o meu pai Bertrand.- Apontou para o homem. Este tinha cabelo preto e olhos castanhos.- E a rapariga é a minha irmã mais nova, Catarina, podes chama-la de Caty se quiseres.- Apontou por fim a rapariga de cabelo castanho comprido e olhos da mesma cor que estava sentada na sua poltrona.
Conforme o nome de cada era dito, eles sorriram e acenavam.
- E o que isso tem a ver com o teu desejo?- perguntou Lean baixinho.
- Um dos meus desejos é que deixes a minha família viver aqui, até que encontremos uma nova casa.
- E porque é que precisariam de uma nova casa? Vocês já não têm uma?
"Ele é mais lerdo do que pensei"- matutou Kennan.
- Sim… tínhamos. Mas ela ficou destruída com o incêndio. Então deixas-nos ficar?
Então é assim que o primeiro beijo deles ocorre?
ResponderEliminarFiquei toda arrepiada com as sensações que o Kennan descreveu!!
Quero mais e mais :)