New Light: Capítulo 5


'Susan atendeu o móvel.

- Alô?- disse meio receosa.

- Tô?- respondeu a voz de um rapaz.- Quem fala é Susan?

- S-sim. E quem és tu?

- Sou o Alexander. Estou na tua turma e sou o irmão gémeo do Williams. Lembras de mim?- perguntou a pessoa do outro lado.

- Alexander?!- surpreendeu-se Su.'

- Sim, sou eu Alexander.- disse ele de novo.- Mas porquê tanta surpresa?

- Por… por nada… Mas como é que tens o meu número?- perguntou Su já que ela não se lembrava de ter-lhe dado o seu número.

- Foi uma menina estranha que me enviou uma mensagem com o teu numero e que  dizia “ Faz bom uso”.- respondeu Alexander enquanto se lembrava da mensagem que recebera há dois dias.

- Uma menina estranha? Que menina?

- Não sei.

- Hum… mas porque é que me ligaste?

- Liguei para te avisar sobre o meu irmão.

- O William?- indagou Susan ainda surpresa.

- Sim, conheces algum outro irmão meu?- perguntou num tom sarcástico.

- Não. E o que tem o William?- perguntou Su ignorando o sarcasmo.

- É melhor tomares cuidado com ele.

- Como assim?

- Ele não é a pessoa que pensas ser.

- Como assim?- voltou a insistir Su.

- Irás descobrir de qualquer maneira, então não te incomodes perguntando-me. O aviso está dado: ‘Não te envolves demasiado com o William se não quiseres sofrer.’- e desligou.

- Como diabos, ‘se não quiseres sofrer' e ‘não te envolves demasiado’?!- perguntou sem entender e irritada por ele ter desligado na cara dela.

Pensou em ligar para o mesmo número que a ligara mas era privado.

Então ligou para a Mari.

- Oi.- cumprimentou Mari ao atender.

- Olá.- segurando-se para não explodir e quebrar as regras.

- Vejo que estás ansiosa para me contar. Quem foi que te ligou?- perguntou Mari numa voz sabedora.

Sorriu e descarregou a conversa que tivera com o Alexander e terminou com:

- Quem ele pensa que é desligando na minha cara daquela forma?!

- Essa não é parte que me interessa.- disse Mari numa voz estranha.- Ele te contou quem é a tal “menina estranha “?

- Se eu a chamei também de “menina estranha” significa que eu não sei o nome dela, né Mari?

- Hum…

- Que ‘Hum…’ foi esse, M-a-r-i?- perguntou Susan separando o nome de Mari devagarinho.

- Nada.

- Não és tu a ‘menina estranha', pois não?

- E porque é que haveria de ser? Essa ideia não tem fundamento nem princípios.

- Tens a certeza?

- Para começo da conversa, como é que eu, Marina Costa, que estou a milhões de quilómetros daí haveria de ter o número de uma pessoa que eu não conheço e nunca vi ou falei? E porque haveria de lhe dar o teu número sem saber o seu caráter?- revidou Mari.

- É, tens razão, desculpa ter desconfiado.- pediu Susan.

‘ Mas, conhecendo-te da maneira que conheço, sei que nada é impossível para ti.’

Susan lembrou-se de a vez em que um estranho tentou seduzir a amiga e roubou-lhe a bolsa que tinha os oitocentos euros que a mãe tinha lhe entrega para que ela cuidasse.

E para conseguir de volta o dinheiro e a bolsa, que era a sua favorita, Mari ativou o Chip com GPS que ela carregava sempre na mala, descobriu onde o homem morava, trabalhava, e se tinha mulher e filhos.

E levando em conta os resultados da pesquisa, ela o esperou no beco que o homem visitava todos os dias e o ameaçou dizendo que se ele não lhe devolvesse o dinheiro e a bolsa, a mulher dele sofreria as consequências.

Quando respondeu que o dinheiro não estava mais com ele, Mari mostrou um vídeo da Susan segurando uma faca no pescoço da esposa do homem e disse ‘ Tens até amanhã ao pôr-do-Sol para me entregar a bolsa e os oitocentos euros, aqui neste beco. Ou então sabes o que acontecerá com a tua mulher.’

E ela manteve a pobre a mulher em cativeiro na sua casa até o dia seguinte apesar de a tratar mais como uma convidada do que uma prisioneira.

No dia seguinte, ela arrastou a Susan e a mulher para o beco onde iria se encontrar com o homem.

A mulher estava com as mãos e os pés atados e boca tapada com um pano e Susan segurava a faca sempre perto do pescoço dela.

Tudo parte do plano de Mari.

O homem chegou na hora combinada mas trazia consigo alguns do seu bando.

Mas assim que eles pisaram no beco a polícia apareceu e prendeu-os.

Além de serem ladrões, eram traficantes de drogas.

A mulher foi solta e Mari obteve os oitocentos euros e a sua bolsa favorita de volta.

Tudo como o planejado.

- Ei, Su!- chamou Mari, numa voz chateada.

- O que é que foi?- perguntou Susan saindo das lembranças.

- Que Deus seja abençoado, ela finalmente respondeu!- disse ela, sarcástica.

- Desculpa, estava com os pensamentos na Lua.

- Deu para notar.

- Então, estavas a dizer o quê?

- Agora, não me apetece dizer. Diverte-te na Segunda. Será um dia especial. Até.- despediu-se Mari depois de dizer aquilo tudo numa voz bem misteriosa.

- Um dia especial como? Ei, Mari, espera!- tentou chamar Su mas já era tarde demais. A amiga tinha desligado.

- Será que hoje as pessoas sabem apenas me deixar confusa com coisas que eu não entendo, e desligar na minha cara?!- perguntou Susan ao nada


- Susan! Tira já esse rabo dessa cama imediatamente se não quiseres que eu mesma o faça!- ameaçou Luísa para a filha.

- Mas mãe, eu ainda estou doente…

- Doente? A tua febre passou há dias! Agora levanta-te, se não quiseres à bem  irás levantar à mal.

Susan levantou da cama em tempo recorde assim que a mãe deu  passo na sua direção.

- Assim está melhor.- disse Luísa e saiu do quarto.

‘ Mas é Segunda, mãe. Tenho certeza que hoje será um dia amaldiçoado para mim!’- teve vontade de dizer.

Desistiu da ideia e foi tomar um duche.


Assim que entrou na sala, Susan foi recebida pelo sorriso de William e o olhar penetrante de Alexander.

Tentou avançar um passo mas o corpo não respondia às ordens da mente.

Estava completamente congelado.

- Ei, podes sair da frente, por favor? Estás a barrar a passagem.- perguntou uma voz conhecida atrás de si.

Virou lentamente o olhar com medo de quem iria encontrar.

‘ Eu avisei que iria ser um dia amaldiçoado para mim, mãe! Porque é que obrigaste a vir à escola?!’- perguntou-se Susan ao ver quem é que estava atrás de si.

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