Tell me: Capítulo 2
Narrador: Steven
- Porque raios tenho que treinar logo depois de voltar de uma missão?- perguntei para mim mesmo enquanto fechava a porta atrás de mim.
Deitei-me na parte de do beliche depois de ter tirado as botas.
Suspirei.
Passei os dedos pelos lábios.
A sensação dos lábios do Yuki vinham à mente.
-Mas quem será que era o rapaz que beijei mais cedo? Bem... lembro-me de a Comandante Luna tê-lo apresentado hoje como um novo recruta mas... qual era o nome dele?- não conseguia lembrar-me do nome dele, mesmo tendo forçado a memoria.
A única pessoa eu me veio à mente foi o Yuki, o meu primeiro e único amor que eu conhecera na Universidade.
No entanto, fomos forçados à nos afastar por questões familiares.
Eu vim para o campo militar por causa do meu pai e ele teve que cuidar da mãe que estava doente.
Escutei no vazio silencioso do quarto a promessa que fizemos no dia da despedida:
' Vamos nos reencontrar, um dia. E unir os nossos corações mais uma vez.'
- Ei, Yuki, quando é que esse dia chegará?- perguntei ao vazio.
- O que é que tem o Master Yuki?- perguntou Orís fechando a porta do quarto.
Quase bati com a cabeça na parte de baixo do beliche que ficava acima de mim.
- Quando é que entraste?!- perguntei acalmando-me depois do susto.- Hã? Quem é Master Yuki?... Espera … Yuki?
- Não sabes o nome dele e mesmo assim atacaste-o?- perguntou Orís balançando a cabeça enquanto despia o casaco.
- Ataquei quem?
- Não me digas que já te esqueceste de ter atacado o novo recruta que a Comandante Luna elegeu como o novo Master do Departamento de Física e Tecnologia, Yuki?
- Então, aquele rapaz é… o Yuki?- perguntei conectando as peças.
- Master Yuki, e também descobri que ele é o irmão mais novo da Comandante Luna.- disse Orís dando um grande suspiro como se tivesse sido uma coisa má ele ter descoberto.
- O irmão mais novo da Comandante?!- surpreendi-me.
- Sim, e a Comandante ouviu-nos a falar do beijo que o tinhas dado. Por sorte, ele errou o teu nome e a Comandante não chegou a descobrir de que se tratava de ti.
- E como é que ele me chamou?
- Hã? Ah, foi ‘Seflen' e foi logo depois de eu ter dito que o teu nome era ‘Steven’.- relembrou Orís, rindo do fato.
As entrelinhas do texto, finalmente conseguia decifra-las!
O Master Yuki do qual o Orís estava a falar tem dificuldades em dizer o meu nome, é o irmão mais novo da Comandante, ele é loiro com belos olhos que lembravam uma profunda floresta adormecida, e o beijo que eu dei nele lembrou-me dos macios lábios do Yuki que eu conheci na Universidade.
Os atuais acontecimentos e os que aconteceram no passado estão conectados.
-Ei, Oris, sabes onde o Yuki se encontra neste momento.- perguntei entrelaçando os dedos e baixando a cabeça.
-Hum... Ele disse que ia pesquisar mais alguns factos antes de se encontrar com a Comandante, por isso ele deve estar ainda no Departamento de Fisica e Tecnologia. Acho eu.
Calcei as botas e levantei da cama, apressado, e abri a porta do quarto.
-Aonde é que vais? Ei, Steven!
Não ouvi mais a voz de Oris após fechar a porta.
Assim que cheguei no corredor em que se localizava o Departamento de Fisica e Tecnologia, vi uma luz azul vinda do Departamento e corri na sua direção.
Entrei sem cerimonias no Departamento.
Os brilhantes ecrãs dos diversos computadores que se encontravam na sala mostravam várias páginas de artigos, alguns com fotos, e outros resultados de pesquisa.
Mas o que chamou mais a minha atenção foi o que estava no centro da sala: no gigantesco ecrã que podia ser utilizado apenas pelo Master do Departamento estava uma foto minha com o meu nome por cima.
E à olhar para ela estava o rapaz loiro virado de costas para mim.
- Então…
- O quê?- perguntou ele sem se virar.
- Então eras mesmo tu…- disse dando um passo na sua direção.
- Demoraste para perceber.
Parei.
- Tu… sabias que era eu?
- Percebi quando me beijaste.
Continuei. Devagar.
- Se sabias por que é que não disseste nada?
- Não tinha certeza se eras mesmo tu então esperei que os outros agentes saíssem para pesquisar livremente.
Quando cheguei perto o suficiente parei.
- Porque é que não olhas para mim?
- …
- Yuki?
O corpo dele tremia. Parecia estar a... chorar?
- Yuki.- chamei outra vez mas com uma voz mais firme.
Pousei de leve uma mão no ombro dele.
Ele continuou a tremer e não se virou.
Pousei a outra mão no outro ombro.
Ele parou de tremer por algum tempo.
- Yuki…
Pus mais pressão nos ombros para fazer com que ele se virasse para mim.
Girei-o pouco à pouco para o caso de ele não querer pudesse parar com as suas próprias pernas.
Mas mesmo não tendo resistido, quando eu o girei por completo ele continuou cabisbaixo e com as mãos tapando a cara.
- Porque é que não queres olhar para mim, Yuki?- perguntei, tentando segurar o desejo.
-…
Como não obtive resposta pensei em insistir mas ele começou a falar com uma voz trémula:
- N-não é que eu não queira… eu só… tenho medo…
- Medo? Medo de quê?
‘Ainda não, controla-te, eu!’
- ….
- Yuki, olha nos meus olhos.
Aquele pedido meu pareceu fazê-lo parar de tremer. Talvez por causa da surpresa.
Segurei os seus pulsos e afastei as suas mãos da cara.
Mas ele continuou de cabeça baixa.
Então, soltei as suas mãos e pousei uma mão na sua cabeça.
E erguia.
As lágrimas que antes deslizavam pelo sua face estavam trémulas nos seus olhos.
Os seus belos olhos verdes brilhavam.
Talvez porque ele estivera a chorar.
Deslizei a mão que estava na sua cabeça até a sua face passando de leve pelos seus olhos para limpar as lágrimas que pendiam lá.
O rosto dele corou ao meu toque.
- Yuki…
Abaixei o meu rosto até que os nossos lábios se encontrassem.
A sensação dos lábios do Yuki.
Ah, à tanto tempo que eu esperava pelo nosso reencontro.
Embora eu tenha o beijado ainda hoje de manhã, as sensações são totalmente agora que eu sei que ele é o Yuki.
Os nossos lábios separaram-se para que pudéssemos recobrar o fôlego.
- Senti tanta a tua falta, Yuki.- sussurrei.
- Steve…- chamou ele pousando a cabeça no meu peito.
Segurei-o fortemente nos meus braços e inalei daquele cheiro inebriante que ele imitia.
Deitei-o no chão e beijei-o no pescoço.
‘À mais de oito anos que estou à espera, meu amor.’
Narrador: Yuki
O beijo dele no meu pescoço fez com que todos os pêlos do meu corpo se arrepiassem.
Ele lambia o meu pescoço com a sua língua quente.
A sua língua deslizou até chegar aos meus lábios.
Abri automaticamente a boca para puder recebê-la.
Quando senti as suas mãos na borda minha camisa, entrei em pânico.
Segurei-as com a força que me restava, pois parecia que iria derreter a qualquer instante.
Os nossos lábios se separaram.
Nos olhos dele conseguia ver a incompreensão que ele sentia.
- Não pudemos fazer isso…- neguei desviando o olhar.
- E porquê não?- perguntou confuso.
- ...
‘ As razões são demasiadas para que eu escolha apenas uma.’
- Uma razão seria que este lugar tem câmaras de vigilância por todos os ângulos. E a pessoa que tem acesso à eles é…- expliquei continuando sem olhar para ele.
- É…? Quem?- perguntou.
- A minha irmã…
- A tua irmã… A COMANDANTE LUNA?!- surpreendeu-se ele.
Confirmei com a cabeça.
- Por isso, não pudemos fazer aqui.
- Então, vamos para o quarto. Lá não tem câmaras, que eu saiba.- decidiu ele, levantando-se.
- Não!- recusei de imediato segurando a mão dele.
- Porquê não?- perguntou ele. Provavelmente, começando a perder a paciência.
- N-não te lembras de quando nós estávamos na Universidade?- indaguei, rezando para que ele se lembrasse logo. Não me apetece nada dizer o verdadeiro motivo.
- Na Universidade?- ficou alguns minutos tentando se recordar. Quando parecia se lembrar, desfaleceu e sentou no chão, à minha frente.
- E-e então… conseguiste lembrar?- perguntei, receoso.
- Sim…- respondeu numa voz desapontada como se as memórias tivessem esmagado as suas fantasias.
Suspiramos.
Eu de alívio e ele de decepção.
- Quando namorávamos na Universidade, tu não permitiste que tivéssemos nem uma única relação sexual.- disse ele depois de outro suspiro.
- Hum… Desculpa…- pedi sentindo-me meio que culpado por ter lhe negado algo que é normal ser feito entre casais.
- Não te incomodes! Tu tens as tuas razões, certo?... Lembro-me que dizias que querias me apresentar aos teus pais antes, né?
‘Os meus pais…’
A tristeza e a fúria começaram a envolver o meu coração e a minha mente.
- Yuki? Estás bem?- perguntou Steve num tom preocupado.
- S-sim… Desculpa… mas agora há um outro motivo.
- Outro? Qual?
- A Rosalie…
- Ah! Tinha me esquecido completamente do juramento que fizemos à ela!- exclamou segurando a cabeça com mãos.
- Sim…
‘ E mesmo se não houvesse o juramento não sei se seria assim tão fácil fazer sexo com alguém. Mesmo sendo tu, meu amor… É o meu sonho poder ser um só com o meu amor. Mas…’
Os meus pensamentos foram abruptamente interrompidos por voz feminina que falava ao microfone.
- EI, VOCÊS DOIS! O QUE PENSÃO QUE ESTÃO À FAZER!?- gritou a Luna-nee pelo microfone que existia na sala do Departamento e no quarto dela. Foi uma maneira que ela encontrou de falar comigo quando estivéssemos afastados dentro do Quartel General sem que as ondas de transmissão fossem captadas fora dele e mostrasse a nossa localização à pessoas indesejáveis.
- STEVEN! O QUE PENSAS QUE ESTÁS COM O MEU YUKI!?- gritou ela em forma de pergunta, acho eu.
- Não vejo o que tem de errado namorar a pessoa que eu amo!- resmungou Steve num tom irritado.
- A PESSOA QUE AMAS!? QUEM PENSAS QUE ÉS PARA FALARES ASSIM DO YUKI!?
- Só porque és a irmã dele, achas ter o direito de nos interromper dessa maneira!?
- VÃO PARAR DE DISCUTIR COM PERGUNTAS OU NÃO?- gritei interrompendo a discussão sem sentido de perguntas.
- Yuki.
- Yuki-kun.
- Steve, vai para o quarto. E Luna-nee, desliga o microfone e espera-me aí que eu já vou.- ordenei aos dois numa voz mais calma.
- Porque é que vais te encontrar com ela?- indagou Steve, incomodado.
- Porque ela me pediu que eu a encontrasse no seu quarto esta noite.- expliquei.
- Vais estar sozinho com ela a noite toda? E o que é que vão fazer sozinhos?
- Ah, tu sabes. Coisas de irmãos.- respondeu a voz da Luna.
- Luna-nee! Pensei ter dito para que desligasses microfone, ou não disse?
- Desculpa, Yuki-kun mas eu não podia deixar-te sozinho com esse lobo aí.
- O que é que queres dizer com coisas de irmãos?- perguntou Steve à Luna ignorando a provocação do lobo.- O que é que vais fazer com o Yuki.
- Isto, aquilo e um pouco daquilo.- respondeu ela numa voz safada.
- Sua…!
- Chega, vocês dois! Steve, nos vemos depois. – disse empurrando-o até à saída.
- Espera.- disse ele parando logo antes da porta e virou-se para mim.- Não vais pelo menos dar-me um beijinho de “até logo" ?- perguntou ele num sussurro aproximando a sua cara da minha com um brilho nos olhos.
Sentir a respiração dele assim tão perto de mim fez com que eu corasse.
Pensei em abaixar a cabeça mas ele previu o meu movimento e segurou-me o queixo fazendo com que os meus olhos encontrassem os seus olhos azuis como o céu, que ficavam cada vez mais próximos.
Então, os nossos lábios finalmente se encontraram.
Quando isso aconteceu senti o mesmo arrepio de antes na espinha.
O meu coração começou a bater mais e mais rápido à medida que o beijo de tornava cada vez mais quente.
- Bem, acho que conseguirei aguentar por algum tempo com um beijo desses.- disse Steve com um sorriso satisfatório depois dos nossos lábios terem se afastado.
- Yuki-kun, quando é que vens?- perguntou a Luna-nee.
- E-eu já vou. Estou apenas a arrumar as minhas coisas.- disse colocando uma mão em frente da boca.
- Bem, acho melhor ir indo senão não poderei aguentar ficar ao teu lado sem te atacar, Yu-kun.- despediu-se ele e saiu do Departamento deixando-me naquele estado: o rosto vermelho, o coração batendo a mil à hora e o corpo todo queimando por dentro.
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